Judiciária considera que alguns papéis encontrados na busca à casa de Duarte Lima foram forjados recentemente para afastar suspeitas
Desde o início deste mês que a detenção de Duarte Lima era um dado público. Por isso, a investigação ao caso da burla ao BPN, que envolve o antigo líder parlamentar do PSD, o seu filho e o advogado Vítor Igreja Raposo, suspeita que alguns documentos encontrados na casa do advogado foram recentemente produzidos como forma de justificar algumas operações financeiras do passado que estão sob suspeita.
Na busca à casa de Duarte Lima, a Judiciária encontrou ainda uma cópia digital do processo do homicídio de Rosalina Ribeiro, que corre no Brasil, e já informou a polícia brasileira. Só na semana passada é que o seu advogado diz ter tido acesso ao mesmo. Ontem, o juiz Carlos Alexandre decidiu manter Duarte Lima em prisão preventiva, enquanto o filho ficou obrigado a pagar 500 mil euros de caução e proibido de falar com Vítor Igreja Raposo.
[no DN]
sábado, 19 de novembro de 2011
PJ suspeita que Lima 'plantou' documentos na busca
sábado, 5 de novembro de 2011
Eletricidade sem extras com novo impulso
A dissolução do anterior Parlamento interrompeu o processo originado pela petição da DECO. Mas os 170 mil peticionários esperam progressos na transparência da fatura e redução dos Custos de Interesse Geral.
Estes progressos deverão agora surgir na sequência da ação do novo Governo, no âmbito das medidas acordadas com a “troika” representando a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Com efeito, essas medidas, calendarizadas para 2011, acompanham muitas das propostas apresentadas pela DECO, nomeadamente no sentido de criar as condições para uma maior concorrência no mercado elétrico e de rever as políticas de remuneração na área da produção de eletricidade, nomeadamente a de origem renovável, uma das grandes responsáveis pelo aumento dos Custos de Interesse Geral.
Assim, apesar do combate por uma fatura de eletricidade menos penalizadora para o consumidor ter sido interrompido no Parlamento, onde deu origem à criação de um grupo de trabalho específico pela Comissão de Assuntos Económicos, Inovação e Energia, a DECO continua a acompanhar o processo também por via da ação do novo Executivo, junto do qual não deixará de apresentar as suas reivindicações nesse domínio.
[in website DECOPROTESTE]
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Tribunal Constitucional analisa destruição de escutas que envolviam Sócrates
A polémica decisão do presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Noronha de Nascimento, de mandar destruir as escutas do processo Face Oculta que envolveram o então primeiro-ministro José Sócrates parecia esgotada. Mas segunda-feira o Tribunal Constitucional veio reacender o caso do alegado plano de Sócrates para controlar a comunicação social.
Num acórdão assinado por cinco juízes conselheiros (João Cura Mariano, Joaquim de Sousa Ribeiro, J. Cunha Barbosa, Catarina Sarmento e Castro, Rui Manuel Moura Ramos), estes aceitam a reclamação interposta pelo arguido do processo Face Oculta, Paulo Penedos, que sempre contestou a destruição das escutas, alegando que as mesmas eram essenciais para a sua defesa.
A destruição daquelas intercepções foi ordenada pelo presidente do STJ, que ainda inviabilizou todas as tentativas de Paulo Penedos de contestar a fundamentação dos vários despachos assinados por Noronha do Nascimento. Agora, depois de um longo percurso, Paulo Penedos conseguiu a primeira vitória, com o Tribunal Constitucional a aceitar sindicar a decisão do presidente do STJ, que interveio neste caso apenas como juiz de instrução.
“Não se vislumbrando outras razões para que não seja conhecido o recurso interposto para o Tribunal Constitucional por isso deve ser deferida a reclamação apresentada, admitindo-se esse recurso, o qual deve ter efeito meramente devolutivo da decisão recorrida, com subida imediata nos próprios autos”, lê-se na decisão.
Tal significa que o Tribunal Constitucional, cuja existência o presidente do Supremo questionou há dias, irá sindicar a decisão de Noronha do Nascimento, analisando se a mesma viola ou não normas da Constituição. Mas isso não irá suspender o desenrrolar do processo Face Oculta, cujo julgamento começa na próxima terça-feira no Palácio de Justiça de Aveiro.
[ por Mariana Oliveira in PÚBLICO ]
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
New European Central Bank President Mario Draghi said that inflation should remain in line with the central bank's definition of price stability over its policy relevant horizon, even after its decision to cut interest rates by 0.25 percentage point.
Still, he said that "inflation has remained elevated" and is likely to remain above 2% for "some months to come", but is expected to fall below that threshold in the course of 2012.
After the decision, inflation however, "should remain in line with price stability over the monetary policy horizon," he said.
The central bank aims to have inflation just below 2% over the medium term. The ECB shocked markets earlier Thursday by cutting interest rates by 0.25 point.
Mr. Draghi took over from Jean-Claude Trichet on Nov. 1, when the latter's non-renewable, eight-year term concluded.
Isaltino Morais perde último recurso
O Tribunal Constitucional considerou transitado em julgado o caso de Isaltino Morais.
Segundo o comunicado emitido pelo tribunal, não existe agora nenhum impedimento para que o autarca de Oeiras cumpra a pena de dois de prisão.
Isaltino Morais já tinha sido detido a 29 de Setembro, mas a mesma foi considerada ilegal, uma vez que o Supremo Tribunal de Justiça desconhecia que estava pendente um recurso para o Tribunal Constitucional, recurso esse que esta quinta-feira foi considerado transitado em julgado pelos juízes do Palácio Ratton.
O 'Caso Isaltino' teve início há mais de oito anos, por suspeitas de que possuía contas bancárias não declaradas na Suíça e na Bélgica. O autarca foi condenado em 2009 pelo Tribunal da Relação de Lisboa a dois anos de prisão, por fraude fiscal e branqueamento de capitais. A decisão deu origem a vários recursos, quer de Isaltino Morais, quer do Ministério Público para os tribunais superiores.
Em 2009, o autarca foi condenado a dois anos de cadeia pelos crimes de corrupção passiva, branqueamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal.
COMUNICADO DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL NA ÍNTEGRA:
Na sua sessão de 31 de Outubro de 2011, a 2.ª Secção do Tribunal Constitucional proferiu decisão em que, com base no artigo 84.º, n.º 8, da Lei do Tribunal Constitucional e no artigo 720.º, n.º 5 do Código de Processo Civil, considerou transitado em julgado, nessa data, o seu acórdão n.º 460/2011, de 11 de Outubro de 2011, prolatado no processo em que é recorrente Isaltino Afonso Morais.
[in Correio da Manha - 3/Outubro/2011]
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Alterações Climáticas Aquecimento global com impacto nos próximos mil anos
É o primeiro estudo a fazer prognósticos para um prazo tão longo. Segundo a revista Nature, as consequências do aquecimento global serão sentidas ao longo de todo o próximo milénio e podem levar ao desaparecimento de grande parte da Antártida, com a temperatura dos oceanos a subir, em média, cinco graus.
O estudo foi realizado com base em programas de simulação de computador que permitiram explorar os vários cenários possíveis, mesmo no caso de o planeta evoluir para uma situação de zero emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir de 2010 e em 2100. Ainda assim, os resultados demonstram que o aumento das emissões de gases com efeito de estufa (GEE), nomeadamente de CO2, vai fazer subir as temperaturas da Terra nos próximos mil anos e elevará em, pelo menos, quatro metros o nível das águas do mar.
Por causa disso, grandes áreas do norte da África vão transformar-se em desertos e a temperatura dos oceanos pode subir até cinco por cento. Alterações que vão provocar o colapso da camada de gelo ocidental da Antártida, uma superfície de 2,2 milhões de quilómetros quadrados, ou seja, equivalente a quatro vezes o tamanho da Espanha.
Segundo o coordenador do estudo, o professor Shawn Marshall, da Universidade de Calgary, no Canadá, as regiões do hemisfério norte, no geral, serão menos afectadas que as do sul, embora as projecções revelem que os padrões do clima em certos lugares do mundo deverão mudar completamente.
[Névia Vitorino - Portal Ambiente Online]
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
SALÁRIOS: Gestores não executivos recebem 7400 euros por reunião
por MARIA JOÃO ESPADINHA
Embora não desempenhem cargos de gestão, administradores são bem pagos. Por cada reunião do conselho de administração das cotadas do PSI-20, os administradores não executivos - ou seja, sem funções de gestão - receberam 7427 euros.
Segundo contas feitas pelo DN, tendo em conta os responsáveis que ocupam mais cargos deste tipo, esta foi a média de salário obtido em 2009.
Daniel Proença de Carvalho, António Nogueira Leite, José Pedro Aguiar-Branco, António Lobo Xavier e João Vieira Castro são os "campeões" deste tipo de funções nas cotadas, sendo que o salário varia conforme as empresas em que trabalham.
Proença de Carvalho é o responsável com mais cargos entre os administradores não executivos das companhias do PSI-20, e também o mais bem pago. O advogado é presidente do conselho de administração da Zon, é membro da comissão de remunerações do BES, vice-presidente da mesa da assembleia geral da CGD e presidente da mesa na Galp Energia. E estes são apenas os cargos em empresas cotadas, já que Proença de Carvalho desempenha funções semelhantes em mais de 30 empresas. Considerando apenas estas quatro empresas (já que só é possível saber a remuneração em empresas cotadas em bolsa), o advogado recebeu 252 mil euros. Tendo em conta que esteve presente em 16 reuniões, Proença de Carvalho recebeu, em média e em 2009, 15,8 mil euros por reunião.
O segundo mais bem pago por reunião é João Vieira Castro (na infografia, a ordem é pelo total de salário). O advogado recebeu, em 2009, 45 mil euros por apenas quatro reuniões, já que é presidente da mesa da assembleia geral do BPI, da Jerónimo Martins, da Sonaecom e da Sonae Indústria.
Segue-se António Nogueira Leite, que é administrador não executivo na Brisa, EDP Renováveis e Reditus, entre outros cargos. O economista recebeu 193 mil euros, estando presente em 36 encontros destas companhias. O que corresponde a mais de 5300 euros por reunião.
O ex-vice presidente do PSD José Pedro Aguiar-Branco é outro dos "campeões" dos cargos nas cotadas nacionais. O advogado é presidente da mesa da Semapa (que não divulga o salário do advogado), da Portucel e da Impresa, entre vários outros cargos. Por duas AG em 2009, Aguiar-Branco recebeu 8080 euros, ou seja, 4040 por reunião.
Administrador não executivo da Sonaecom, da Mota-Engil e do BPI, António Lobo Xavier auferiu 83 mil euros no ano passado (não está contemplado o salário na operadora de telecomunicações, já que não consta do relatório da empresa). Tendo estado presente em 22 encontros dos conselhos de administração destas empresas, o advogado ganhou, por reunião, mais de 3700 euros.
Apesar de desempenhar apenas dois cargos como administrador não executivo, o vice-reitor da Universidade Técnica de Lisboa, Vítor Gonçalves, recebeu mais de 200 mil euros no ano passado. Membro do conselho geral de supervisão da EDP e presidente da comissão para as matérias financeiras da mesma empresa, o responsável é ainda administrador não executivo da Zon, tendo um rácio de quase 5700 euros por reunião.
[ in "DNeconomia" em 16 Abril 2010 - artigo parcial ]
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Isaltino diz que ainda há recursos a decorrer e reafirma inocência

O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, afirmou hoje que, apesar de o Tribunal Constitucional ter recusado o recurso para impedir a sua condenação por corrupção passiva, existem ainda recursos a decorrer e reafirmou a sua inocência.
«A convicção da minha inocência é tão forte que nada me deita abaixo», declarou o autarca, à porta dos Paços do Concelho.
«Ainda há vários recursos a serem apreciados, um no Supremo Tribunal de Justiça e outro na Relação, relativamente ao conhecimento da prescrição», acrescentou.
De acordo com a decisão, a que a Lusa teve acesso, os juízes do Tribunal Constitucional (TC) decidiram por unanimidade não julgar inconstitucional o artigo da lei que impede o julgamento por tribunal de júri dos crimes de participação económica em negócio, de corrupção passiva para ato ilícito e de abuso de poder quando são cometidos por um membro de um órgão representativo de autarquia local.
Isaltino Morais sublinhou que «não há ainda trânsito em julgado da sentença condenatória».
Questionado pelos jornalistas sobre se pensa que pode vir a não cumprir a pena de dois anos, o presidente da câmara respondeu que já «acredita em tudo e em nada», mostrando-se «confiante» de que o «assunto ainda vai ser clarificado».
O autarca considerou que «nunca se gosta de notícias negativas», mas lembrou que «hoje é um dia de trabalho».
Está prevista para hoje, pelas 20:00, a inauguração de um conjunto escultórico comemorativo do 250.º aniversário do município, no Fórum Oeiras, o mesmo evento que Isaltino Morais deveria ter presidido quando foi preso por cerca de 24 horas, há dez dias.
Entretanto, um dos advogados do autarca já se mostrou surpreendido com a «rapidez da decisão» do TC. «Recebemos o acórdão hoje, ainda não tivemos oportunidade para o analisar, mas já conhecemos a decisão final. O TC indeferiu o recurso e agora temos 10 dias para reagir», disse à Lusa Rio Éloi Ferreira.
Isaltino Morais foi condenado em 2009 a sete anos de prisão e a perda de mandato por fraude fiscal, abuso de poder e corrupção passiva para ato ilícito e branqueamento de capitais. Posteriormente, a pena foi reduzida para dois anos pelo Tribunal da Relação.
Em Maio, o Supremo Tribunal de Justiça rejeitou um pedido de anulação da pena de dois anos de prisão efectiva e fez subir para o dobro a indemnização cível a que estava sujeito a pagar. Para que a decisão não transitasse em julgado, o autarca apresentou recurso ao TC, que agora foi chumbado.
Lusa/SOL
Etiquetas: Isaltino Morais, Sociedade
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Autor do blogue Rock em Portugal publica segundo volume do livro "Memórias do Rock Português"
Etiquetas: ACTUALIDADES, Livros
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
A pintora Bárbara Borges tem um novo blogue.
http://barbaraborges-artesbborges.blogspot.com/
Uma pintora que vale a pena conhecer.
Etiquetas: ACTUALIDADES, Bárbara Borges, COIMBRA
sábado, 14 de novembro de 2009
Sobre "Caim", de José Saramago, por Cristóvão de Aguiar.
Much ado about nothing
ou a Bíblia segundo Saramago
Tomei de empréstimo a Shakespeare o título de uma das suas mais hilariantes comédias. Penso que retrata bem a situação criada à volta da última obra de José Saramago, Caim. O muito barulho continua a furar-nos os tímpanos, e há-de continuar até à náusea, tanto na imprensa escrita como na difundida: artigos, entrevistas, opiniões públicas na rádio e televisão, em que ouvintes e telespectadores opinam sobre o que sabem e não sabem, maneira muito portuguesa de ser mestre em toda a arte, ou burro em qualquer parte, enfim, tudo o que imaginar se possa: até teólogos, politólogos e outros pedagogos de alto coturno… A origem de tal alvoroço na capoeira da paróquia reside nas declarações, estratégicas ou não, do autor do livro, no dia do seu lançamento, em Penafiel. O nada de toda esta lagariça será o romance que, na minha modestíssima opinião, está longe de merecer tamanho alarido.
O estilo enxuto, descarnado, nunca foi dom de Saramago. O escritor explica tudo até à exaustão, o que não raro se torna enfadonho. Dir-se-ia que há uma inundação de palavras, grande parte delas inúteis, como se tivesse ocorrido uma séria avaria na canalização provinda da nascente criadora. Por esta e outras razões, muita boa gente letrada costuma(va) afirmar, em surdina (o politicamente correcto vigora com força), que se a certos livros de Saramago fossem retiradas cem ou cento e cinquenta páginas, não perderiam nada: pelo contrário, ficariam mais claros, exactos, sucintos…
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sábado, 26 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Estádio Nacional
Não sei se já se aperceberam das movimentações de terras e abate de árvores que estão a acontecer nos terrenos o Estádio Nacional, mais precisamente no vale do Jamor.
Tornando curta a história, o Instituto do Desporto de Portugal está a construir um campo de golfe numa área correspondente a mais de 50% do vale, área essa que vai, naturalmente, ficar vedada ao público em geral, nomeadamente a todos os que até aqui a utilizavam para diversas actividades desportivas e lúdicas.
Para não falar dos danos em termos da fauna local (como os patos bravos e os coelhos que lá tinham os seus ninhos e tocas e as aves de rapina que lá caçavam).
A legalidade do licenciamento desta obra é, no mínimo, duvidosa, atendendo à falta de publicidade no local e à forma como os responsáveis pela mesma responderam (ou ignoraram) os pedidos de informação que legitimamente lhes foram feitos.
Para tentar evitar mais um caso de perda de um bem público através da política do facto consumado, foi intreposta uma acção judicial para travar as obras (já foi decretada pelo tribunal a suspensão provisória das obras, até ser julgada a providência cautelar) e está a ser organizado um abaixo assinado e uma campanha de informação à população.
Foi criado um blogue, onde se podem conhecer os detalhes do processo e onde se encontra informação actualizada sobre as iniciativas levadas a cabo:
Agradecia a vossa participação na divulgação desta situação, é precisa ajuda para tentar travar esta apropriação privada de um espaço que é de todos.
Está também disponível uma petição online em:
www.peticao.com.pt/golfe-no-jamor
Obrigada!
terça-feira, 23 de junho de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
Coimbra. Cozinha de escritores: Eça, Torga e Cristóvão de Aguiar. 3 a 12 de Julho 2009.




Escrito por Andrea Trindade
Coimbra animada em Julho
"Cozinha de escritores"
«Consolava-se então com regalos de gulodice. Durante todo o dia debicava sopinhas, croquetes, pudinzinhos de batata. Tinha no quarto gelatina e vinho do Porto. Em certos dias mesmo queria caldos de galinha à noite». Assim escrevia Eça de Queirós em “O Primo Basílio”, numa das muitas referências que, na sua obra, faz aos prazeres da boa mesa. A gastronomia e a sua arte pontuam também a escrita literária de Miguel Torga ou, nos contemporâneos, de Cristóvão de Aguiar. Todos têm em comum uma ligação à cidade do Mondego e foi por isso que as suas obras foram escolhidas como mote para a primeira edição da “Cozinha de Escritores”, um evento organizado pela empresa municipal Turismo de Coimbra (TC).
A semana gastronómica decorre de 3 a 12 de Julho e conta já com a adesão de 22 restaurantes da cidade, que vão recriar e reinventar os pratos tradicionais portugueses descobertos na obra destes três escritores.
Reiterando a importância da gastronomia na promoção turística, Luís Alcoforado, presidente da TC, explicou ontem, na sessão de apresentação do evento, que esta «ideia agregadora, mobilizadora e expressiva» surge da colaboração com o Mestrado de História da Alimentação da Faculdade de Letras de Coimbra (FLUC), da disponibilidade da Escola de Hotelaria e ainda da adesão da Associação de Industriais de Hotelaria e Restauração do Centro.
O responsável desta associação, José Pires, aplaudiu a iniciativa - «ainda mais importante no tempo de crise que atravessa a restauração» - e lançou o desafio de participação a todos os colegas do sector. «É bom que Coimbra acorde e trabalhe a gastronomia», sublinhou.
Albano Figueiredo, docente da FLUC e responsável pela investigação literária, garantiu que, do arroz de favas que Eça descrevia em “A cidade e as Serras” ao arroz doce e aos pêssegos abobrados, passando pelos carolos e pão de trigo de Torga ou os charrinhos assados na sertã de Cristóvão Aguiar, «há dezenas de pratos para todos os gostos e para todas as bolsas».
Restaurantes assinalados
Ao chefe Luís Lavrador coube pegar na recolha feita e sistematizá-la transformando-a em receitas. Ainda assim, o desafio de recriar fica entregue a cada um dos restaurantes, que apresentarão diariamente dois ou três pratos diferentes, dentro da “Cozinha de Escritores”, e ao preço que estipulem. Os restaurantes aderentes estão dispersos por Coimbra e exibirão uma sinalética alusiva ao evento no exterior, disponibilizando a quem degusta os pratos as respectivas passagens literárias onde surgem mencionados.[...]
In Diário de Coimbra de 19-06-2009.
RESTAURANTES ADERENTES
Panorama | Hotel D. Luis
Quinta da Várzea
3040-091 Coimbra
T. 239 802 120 | M. mauro.mota@hoteldluis.Diariamente das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 22h30
Magistrado | Hotel Tryp Coimbra
Av. Armando Gonsalves, LT. 20
3000-049 Coimbra
T. 239 484 658 | M. elisabete.magistradohotel@sapo.pt
Diariamente das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h
Colo da Garça | Hotel D. Inês
Rua Abel Dias Urbano, Nº 12
3000-001 Coimbra
T. 239 855 800 | M. direccao@hotel-dona-ines.pt
Aberto 24h
Porta Férrea | Hotel Tivoli Coimbra
Rua João Machado, Nº 4-5
3000-226 Coimbra
T. 239 826 934
Diariamente das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h
Arcadas da Capela | Hotel Quinta das Lágrimas
Rua António Augusto Gonçalves
3041-901 Coimbra
T. 239 802 380
Diariamente das 12h30 às 14h30 e das 19h30 às 22h30
A Petisqueira do Terreiro
Terreiro da Erva, 20. r/c
3000-153 Coimbra
T. 918 928 796
Diariamente das 9h às 24h
Adega Típica A Pharmácia – 7 Sabores de Aldeia
Rua do Brasil, 81/85
3030 – 175 Coimbra
T. 239 703 193
Diariamente das 12h às 2h
A Taberna
Rua dos Combatentes da Grande Guerra, 86
3000 – 181 Coimbra
T. 239 716 265 | M. ataberna25anos@gmail.com
Das 12h30 às 15h e das 19h30 às 22h30; encerra domingo ao jantar e segunda ao almoço
Cantinho do Reis
Terreiro da Erva, 16
3000 – 153 Coimbra
T. 239 824 116
De segunda a sábado das 12h às 16h e das 18h às 24h
Carmina de Matos
Praça 8 de Maio, 2-10
3000 – 300 Coimbra
T. 239 823 510 | M. carminadematos@iol.pt
Das 9h às 24h
Churrasqueira da Cidreira
Estrada Nacional 111 – Cidreira
3025 – 654 Coimbra
T. 239 961 215
Das 7h às 24h
Colher de Pau
Rua do Brasil, 56
3000 – 775 Coimbra
T. 239 403 544 | M. j-merces@hotmail.com
Diariamente das 12h às 16h e das 19h às 23h
Cova Funda “O Espanhol”
Rua da Sofia, 117
3000 – 390 Coimbra
T. 239 825 195
Diariamente das 8h às 24h
D. Pedro
Av. Emídio Navarro, 58
3000 – 150 Coimbra
T. 239 829 108
Diariamente das 10h às 24h
La Fiesta
Rua do Carmo, 54 - Loja 4
3000 – 064 Coimbra
T. 239 821 246 | M. rest.lafiesta@gmail.com
De segunda a sábado, das 10h às 24h
Nacional
Rua Mário Pais, 12 - 1º
3000 – 300 Coimbra
T. 239 829 420 | M. restaurantenacional@sapo.pt
De segunda a sábado das 12h às 15h e das 19h às 24h
Novo Rest | Eurest/Makro
Vale das Flores, Edifício Makro
3030 – 191 Coimbra
T. 239 702 056 | M. novorest.coimbra@eurest.pt
Diariamente das 7h às 22h
O Porquinho
Quinta da Ribeira, 1 Coselhas
3000 – 125 Coimbra
T. 239 494 036 | M. geral@oporquinho.com
Diariamente das 12h às 15h e das 17h às 24h
Praça do Marisco
Rua João de Deus Ramos, 145
3030 - 328 Coimbra
T. 239 403 384 |M. pracadomarisco@hotmail.com
Diariamente das 12h às 15h e das 18h às 24h
Quinta da Romeira
Rua António Pinho Brojo, lote 56 - Urb. da Romeira
3030 – 116 Coimbra
T. 239 781 301 | M. quintadaromeira@sapo.pt
De terça a sexta das 19h30 às 23h30 (almoços para grupos mediante reserva); sábado e domingo das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 23h30
A Portuguesa
Parque Verde
3000 – 476 Coimbra
T. 239 842 140
Restaurante da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra
Quinta da Boavista
3000 – 076 Coimbra
T. 239 007 000 | M. ehtcoimbra@turismodeportugal.pt
De segunda a sexta-feira, das 13h às 15h
Etiquetas: Cristóvão de Aguiar, Cultura
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Movimento Zeitgeist
Juntem-se a nós neste movimento global!
O Movimento Zeitgeist não é político. Não reconhece nações, governos, raças, religiões, credos ou classes. Chegamos à conclusão de que estas distinções são falsas e desatualizadas e estão longe de serem fatores positivos ao verdadeiro potencial e crescimento humano coletivo. Suas bases estão na divisão do poder e estratificação, e não na união e igualdade, que são nossos objetivos. Embora seja importante entender que tudo na vida é uma progressão natural, devemos também reconhecer que a espécie humana tem a habilidade de retardar drasticamente e paralisar o progresso através de estruturas sociais obsoletas, dogmáticas, e, por conseguinte, em desarmonia com a natureza. O mundo que vemos hoje, cheio de guerras, corrupção, elitismo, poluição, pobreza, epidemias de doenças, abusos aos direitos humanos, desigualdade e crime, é o resultado desta paralisia. Este movimento é sobre conscientização, em defesa de um progresso evolucionário fluente, tanto pessoal como social, tecnológico e espiritual. Ele reconhece que a espécie humana naturalmente caminha para a unificação, derivada de um comunal reconhecimento de compreensões fundamentais e quase empíricas de como a natureza funciona e de como nós, humanos, nos adaptamos / somos parte deste descobrimento universal que chamamos de vida. Embora este caminho exista, infelizmente ele está obstruído e é desconhecido pela grande maioria dos humanos, que continuam a perpetuar comportamentos e associações ultrapassadas e, portanto, degenerativas. É essa irrelevância intelectual que o Movimento Zeitgeist espera superar por meio de educação e ações sociais. O objetivo é revisar a sociedade no mundo de acordo com o conhecimento atual em todos os níveis, não apenas conscientizando sobre as possibilidades sociais e tecnológicas que muitos foram condicionados a pensar serem impossíveis ou contra a “natureza humana”, mas também para fornecer meios de superar os elementos que perpetuam estes sistemas obsoletos na sociedade. Uma importante associação, de onde muitas das idéias deste movimento se derivam, advêm de uma organização chamada “Projeto Vênus”, dirigida pelo engenheiro social e industrial Jacque Fresco. Ele trabalhou por praticamente toda a sua vida para criar as ferramentas necessárias para auxiliar no projeto do mundo que poderia eventualmente erradicar as guerras, a pobreza, o crime, a estratificação social e a corrupção. Suas idéias não são radicais ou complexas. Elas não exigem uma interpretação subjetiva de sua formação. Neste modelo, a sociedade é criada como um espelho da natureza, com as variáveis pré-definidas, inerentemente. O movimento em si não é uma construção centralizada. Não estamos aqui para conduzir, e sim para organizar e educar.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Sustentabilidade
Quando pensamos em sustentabilidade, muitas vezes pensamos em durabilidade, longevidade e respeito ambiental. Em geral, uma prática sustentável é aquela que tem o futuro em consideração. No entanto, essa idéia não é só reservada para o mundo material, ela também se aplica ao pensamento, crença, a conduta humana e da sociedade como um todo.
Uma prática insustentável é um efeito negativo e desequilibrado, que, através do tempo, pode afetar negativamente uma pessoa, a sociedade e/ou o ambiente. Um caso clássico é a nossa a utilização do petróleo como um meio de geração de energia. Isto pode ser considerado insustentável, devido ao fato de que o petróleo não é um meio renovável de energia, e quando queimado, é prejudicial ao ambiente. Qualquer prática que provoque um esgotamento irreversível dos recursos ou, a longo prazo, da poluição ambiental é uma prática insustentável.
Da mesma forma, se uma determinada empresa despeja grandes quantidades de resíduos derivados de seus produtos durante a produção, poluindo o meio ambiente, isso também seria outro exemplo de uma prática insustentável, independentemente do que eles estejam produzindo.
Igualmente, se o conhecimento ou materiais utilizados na produção de um determinado produto não são da maior qualidade conhecida, quase sempre, a integridade do produto é intrinsecamente comprometida, levando à eventual criação de mais lixo quando esse produto falha ou se torna obsoleto. Com o nosso sistema atual de competição pelo lucro, tudo o que é produzido é feito com uma certa fraqueza, pois existe a necessidade de manter a quota de mercado. Em outras palavras, se duas empresas concorrentes estão criando um determinado item, ambas terão de ser estratégicas nos materiais e designs que utilizarem, assim muitas vezes a qualidade é comprometida em prol de um custo mais acessível. O resultado é um produto que quebra muito mais depressa do que um produto que teve o maior cuidado e qualidade nos materias de seus componentes.
Isto não acontece em nosso sistema por dois motivos: 1) Se uma empresa utiliza o modelo mais avançado e os melhores materiais conhecidos, ela provavelmente terá um custo de produção muito mais elevado e, provavelmente irá perder numa competição contra uma concorrente. 2) Se os produtos forem feitos para serem duradouros, as pessoas não precisarão constantemente substituí-los, de manutenção e nem de atualização e uma grande quantidade de postos de trabalho e lucro seria perdida pela indústria em geral, atrasando assim a economia.
Isto é, por razões obvias, insustentável, considerando a ineficiência inerente do nosso sistema econômico que eventualmente cria problemas desnecessários, lixo e poluição.
E isto nos leva a ideologias insustentáveis.
Uma ideologia é insustentável quando leva uma pessoa ou um grupo a práticas insustentáveis. Por exemplo, o que leva uma indústria a utilizar materiais de má qualidade para criar produtos insustentáveis, enquanto emite uma quantidade desproporcional de poluição, é na verdade o resultado de uma força maior, conhecida como o Sistema Monetário e sua sede pelo lucro. Em um sistema que visa o lucro monetário, não há nenhuma recompensa para a sustentabilidade, pois o sistema é construído sobre a concorrência. Em tal circunstância, a sustentabilidade é sempre colocada em segundo lugar em relação ao lucro, pois a sobrevivência de uma empresa é baseada no lucro, e ele é parcialmente baseado em redução dos custos e na ampliação de receitas. Portanto, práticas insustentáveis que existem em todas as indústrias são o resultado de uma falha ideológica subjacente na própria estrutura econômica.
Em teoria, a maioria concordaria que ao possuir uma abundância de recursos, juntamente com produtos sendo desenvolvidos dos materiais mais resistentes para a máxima eficiência e sustentabilidade, é uma coisa boa. No entanto, estas noções não são recompensadas em nosso atual sistema monetário mundial. O que é recompensado é a Escassez e obsolescência planejada, porém são apenas recompensadas a curto prazo, o que aumenta o lucro, e também gera mais empregos. Infelizmente, esta "recompensa de curto prazo" custa a "destruição a longo prazo".
O sistema de livre comércio, juntamente com todos os outros subgrupos, como o comunismo, socialismo e fascismo, são ideologias insustentáveis, pois possuem em si uma propensão para o abuso ambiental e social. Tornando o assunto mais claro, um mundo que está em concorrência com o próprio núcleo de trabalho, recursos e sobrevivência é um sistema intrinsecamente insustentável, pois carece de uma consciência holística.
Então, como seria uma ideologia sustentável?
Embora esta questão irá sempre trazer novas respostas ao longo da evolução humana, atualmente, temos um conceito chamado Método Científico. Basicamente, o Método Científico é um processo de inquérito que, através dos mais modernos métodos de aprendizagem, da medição, análise e experimentação, é possível demonstrar a validade de um determinado conhecimento ou a possível resolução de um problema específico.
Um exemplo seria um problema com o seu carro. Se o seu carro não da partida, você deve iniciar uma linha de pensamento, baseada na lógica, para encontrar a fonte do problema. A lógica orientaria a sua atenção, e provavelmente começaria perguntando com o quanto de combustível está, e analisaria o mecanismo de ignição, etc. Este é o método científico aplicado na resolução de problemas. Algo fora dessa linha de pensamento seria irracional. Por exemplo, ao analisar o mesmo problema, seria irracional começar a olhar para os pneus, pois eles não têm nada a ver com os mecanismos associados a esse problema.
Infelizmente, a nossa abordagem relacionada à sociedade desconsidera na maioria das vezes a lógica ou metodologia, mas é imersa na tradição, superstição e métodos ultrapassados de conduta. Uma abordagem científica para a sociedade, usando lógica e a razão para avaliá-la e responder às questões sociais iriam ter uma tendência natural para a sustentabilidade, pois nada pode ser isolado ou destacado em uma tal abordagem. Em outras palavras, temos de parar de olhar o mundo através das lentes dos sistemas e ideologias que foram criadas no passado, e começar a olhar para ele na forma mais ampla e imparcial que podemos. O único meio que apóia esta abordagem, é a ciência, e os dons da ciência já provaram inquestionavelmente a sua validade. Por isso, é tempo de utilizar os métodos da ciência na nossa abordagem à sociedade.
Um rápido olhar sobre o sistema utilizado no mundo de hoje reflete uma forte negligência da razão, lógica e aplicação científica. Nossas estruturas econômicas são baseadas em mídias de câmbio e de valores que têm pouca relação com a verdade e a realidade dos recursos. A religião continua a pregar visões ultrapassadas do mundo que mesmo assim continuam a serem substituídas progressivamente pelo pensamento científico. Nosso sistema de trabalho está construído de maneira que as pessoas sejam empregadas para que ganhem dinheiro para sobreviverem, e a contribuição real que esses empregos possuem para sociedade são altamente questionáveis, o que mostra que o emprego existe apenas para manter as pessoas fazendo algo afim de que sobrevivam e suportem o sistema econômico. Isso é um desperdício de vida humana...
Existem muitas, muitas facetas para o entendimento de que as nossas instituições sociais atuais são insustentáveis. Para resumir a questão, a nossa vida na terra deve ter uma premissa fundamental pela qual as nossas operações devem se referir. Esta premissa deve ser tão empírica quanto possível, e não com base em parecer ou de projeção. A partir de uma perspectiva científica, vemos que os recursos do planeta e o talento humano são as questões mais valiosas a se preservar. Inteligência humana e consciência, em conjunto com a gestão da utilização dos recursos da terra são realmente as únicas duas questões fundamentais. Todo o resto é construído com base nesta ideia. Por isso, precisamos começar uma abordagem que maximize educação, tecnologia e gestão dos recursos.
Até que isso seja feito, a sustentabilidade estará em perigo. Este é o objetivo do Projecto Vénus.
Movimento Zeitgeist
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Este é o maior fracasso da Democracia Portuguesa
Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.
A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante a sua longa carreira politica.
A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo em Paris.
A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma "brilhante" que se viu, o processo de descolonização.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiência governativa.
A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os "dossiers".
A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.
A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.
A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com "testas de ferro" no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.
A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.
A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume no caso Emaudio e no caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.
A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, "Contos Proibidos", que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume às "ligações perigosas" com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse carregado de diamantes, no dizer do Ministro da Comunicação Social de Angola).
A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países ("record" absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França - 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).
A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal.
A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.
A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.
A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.
A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.
A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente no incêndio dos Paços do Concelho.
A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a cinco milhões de Euros.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de dois milhões e meio de Euros, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.
A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na... Fundação Mário Soares.
A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.
A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era claro está... João Soares.
A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do "Público", José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.
A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.
A lucidez que lhe permitiu considerar Jose Sócrates "o pior do guterrismo" e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.
A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais uma última vez.
A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.
A lucidez que lhe permitiu ler os artigos "O Polvo" de Joaquim Vieira na "Grande Reportagem", baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.
No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai. Vai... e não volta mais.
Clara Ferreira Alves - in Expresso





